
Puxada por condições climáticas propícias, menor custo por hectare em comparação ao milho (cujo preço de venda despencou) e preços favoráveis - entre julho e agosto de 2009 - que estimularam o plantio, a safra brasileira de soja 2009/10 está batendo recordes de produtividade, de produção, de precocidade e de volume adensado na colheita.
Números oficiais da Companhia Nacional de Abastecimento – Conab, divulgados em fevereiro, preveem que a cultura atinja a casa de 66,7 milhões de toneladas. Caso se confirme, será novo recorde nacional de produção. O número é 16,7% superior à safra passada (de 57,17 mi/t) e 11,2% maior que a safra 2007/2008 (de 60 mi/t), até então a maior do país.
As projeções também apontam para recorde de produtividade, porém com uma margem mais apertada. A média nacional prevista é de 2.875 quilos por hectare (47,91 sacas) contra 2.823 quilos (47,05 sacas) na safra 2007/08. O número, no entanto, é bem superior ao registrado na safra passada: 2629 kg/ha (43,81 sacas).
Precocidade – A precocidade e o adensamento do volume e período de colheita também marcam a atual safra. A boa quantidade de chuvas e a utilização de variedades de sementes consideradas precoces e superprecoces fizeram com que houvesse alguns registros de movimentação de máquinas colheitadeiras no campo já em dezembro do ano passado.
Projeções feitas pela AgRural – empresa de informações agrícolas – dão conta de que até o final de fevereiro 22,8 milhões de toneladas de soja já estariam colhidos no Brasil. “Isso equivale a um terço da safra”, lembra o engenheiro agrônomo e analista da AgRural, Eduardo Godoi.
“Só para se ter uma idéia desta precocidade, em 2008 foram apenas 7,2 mi/t colhidas no mesmo período”, compara.
Este desempenho em curto espaço de tempo foi provocado, segundo Godoi, por um plantio compactado. Isso, segundo ele, levará a outro recorde:
“Se as condições permitirem, o país deve colher em março o maior volume de soja em um só mês em sua história: 30,7 milhões de toneladas.”, contabiliza.
Outro detalhe que chama atenção é que, apesar de não ter havido aumento de fronteira agrícola nesta safra, aconteceu uma sensível elevação da área plantada. “O incremento foi superior a 1,2 milhão de hectares”, avisa o analista.
Esta avalanche do grão em curto espaço de tempo tende, segundo Godoi, a gerar um sério problema para escoamento da safra brasileira.
“Em apenas três meses, de janeiro a março, teremos cerca de 80% da soja já colhida; o mercado aguarda este volume, mas não tenho dúvidas de que o maior entrave passará a ser o logístico.”, garante.
Segunda safra – Além de todas estas particularidades da safra atual, um outro fator de mercado também ajudou no “boom” da soja. O baixo preço do milho no mercado internacional fez com que muitos produtores deixassem de lado esta cultura na safra de verão e apostassem na sojicultura. Se o quadro não se alterar, agricultores podem reduzir investimentos na safrinha de milho para se dedicar a uma segunda safra de soja e, com isso, não deixar a terra parada.
Eduardo Godoi vê riscos nesta aposta, principalmente no que se refere à sanidade. “Com uma eventual safrinha de soja teríamos uma situação propícia para a disseminação maior de pragas de solo (sobretudo nematóides), da ferrugem asiática e o descontrole populacional de pragas”, alerta.
Ele mesmo, no entanto, já tem informações de que uma segunda safra de soja é tendência em algumas propriedades.
“No Mato Grosso e no oeste do Paraná existem produtores preparando uma segunda safra, até mesmo em função do péssimo preço do milho, que vem atingindo valores em torno da...